Autores internacionais Livros Stephen King

Resenha: Com sangue, Stephen King

Stephen king é um dos meus autores favoritos, e eu sempre pego alguma coisa do dele para ler ou assisir essa época do ano. Eu não sou muito fã desse terror do século 21, cheio de gore e violência, e o estilo do King é o suficiente para satisfazer meus desejos literários mais sombrios.

Se você também não gosta muito desse terror sangrento, King poder ser uma opção certeira para você. O que ele escreve não se encaixa mais em terror na minha opinião, ou melhor, no que se normalizou como terror atualmente. Seus textos tem muito suspense e uma pegada sobrenatural, e ele escreve para incitar a imaginação dos leitores, criar situações mundanas que são, ao mesmo tempo, corriqueiras e muito angustiantes. Em muitos dos seus textos, ele deixa claro que os monstros não precisam ser de outro mundo : vício em drogas ou álcool, por exemplo, que é um tema bem comum nos livros dele, pode ser tão assustador quanto monstros vagando à noite.

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O novo livro do autor, chamado “Com sangue”, tem essa pegada com temas mais urbanos e corriqueios, mas não deixa de ter seus momentos de angústia e susto. Apesar do tamanho, tem apenas quatro novelas. “O telefone do Sr Harrigan”, “A vida de Chuck”, “Com sangue”, e “Rato” foram boas leituras – nada excepcionais, mas boas leituras. Ainda assim, fui pega de surpresa, porque as histórias tem uma pegada retrô, um sabor das histórias antigas do King que eu adoro.

No nível susto, os textos não marcaram muitos pontos, mas esse fato não estragou em nada a experiência de leitura, e fez do livro uma boa porta de entrada ao King.

“O telefone do Sr Harrigan” fala sobre um garoto e sua curiosa amizade com um rico senhor ranzinza que foge de tecnologia, até se surpreender com o que se pode fazer com um telefone celular. Um conto médio, mas bem interessante e com ótimos personagens. King consegue escrever para millenials tão bem como escreve para seus fãs mais maduros.

“A vida de Chuck” foi o meu favorito, embora não tenha nada de terror nele Um conto em três atos, contando a história do protagonista de trás para frente, com um toque apocalíptico logo de cara. Você termina tudo pensando : qual é o impacto da sua existência nesse planeta? Saber do seu futuro muda a sua trajetória? A frase que acompanha o conto ” Meu espírito é amplo, contenho multidões” fez todo sentido no fim do texto.

No conto “Com sangue” temos a já conhecida Holly Gibney, que é a nova personagem favorita do King, e acho que a minha também. Ela vai desvendar um mistério que pode envolver um adversário similar ao que enfrentou do livro Outsider. Também temos aqui personagens recorrentes da trilogia Achados e Perdidos/ Bill Hodges, fica o alerta de spoiler – se não leu esse livros mencionados, recomendo que deixe esse conto para depois. Foi simples, direto ao ponto, mas não menos interessante.

“Rato” foi o conto mais assustador dessa coleção. Temos um escritor com bloqueio criativo, uma cabana isolada e muita paranóia. É uma história tem aquele gostinho de classico do King, eu gostei bastante. Você se conecta com os personagens logo de cara, e vive o terror pelos olhos deles.

Foi o melhor que eu li do King? Não, mas foi bom demais ver que ele ainda é capaz de me surpreender. Se você é um iniciante na bibliografia dele, essa é uma boa introdução, com poucos sustos, mas bem escrita a ponto de você entender por que as pessoas gostam tanto dele.

Obrigada a NetGalley e a editora Cia das Letras pela parceria nessa edição.

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