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A distância entre nós

O que dizer que um livro que quebra o seu coração em mil pedaços, e ainda assim você quer mais?
“A distancia entre nós”, de Thrity Umrigar, acabou comigo.

Bhima é uma mulher velha, pobre e analfabeta, que luta com afinco para criar bem sua única neta. Ela trabalha há décadas na casa de Serabai Dubash, uma rica dona de casa farsi. Apesar da vida próspera da patroa, só Bhima sabe o quanto ela sofreu nas mãos do marido todos esses anos, e Serabai reconhece o apoio da empregada. Bhima também é muito grata por Serabai, porque a patroa é gentil e sempre procura apoia-la, ajudando sua família.

Apesar do claro abismo social que existe entre elas, as duas acreditam poder contar com a outra nos momentos de dificuldade. Contudo, nada mais vai ser o mesmo quando a neta de Bhima precisar de ajuda. Será que os laços de amizade podem ser mais fortes que os de sangue?

Serabai e Bhima são mulheres sofridas, marcadas duramente pela vida e as circunstancias da sociedade indiana. Ainda que se percebam como confidentes, nunca conseguem romper a distância imposta, sempre sufocadas pelas diferenças sociais, econômicas e educacionais entre elas.

A autora não nos poupa dessa realidade cruel das castas e grupos na India em momento algum, e pode gerar certo desconforto. Rapidamente vemos como as dinâmicas de poder funcionam naquela sociedade , e como essa dinâmica afeta o destino das duas. Contudo, cenário e personagens são muito bem desenhados e se sobressaem apesar de toda a infelicidade e dor narradas página a página.

Esse livro tem vários trechos memoráveis e foi difícil escolher um para destacar aqui. Esse abaixo deixa claro a sensação de desamparo que permeia a vida de Bhima, uma mulher que continua de pé apesar de tudo.

“Talvez o tempo não cure as feridas de jeito nenhum, talvez essa seja a maior mentira de todas. Em vez disso, o que acontece é que cada ferida penetra mais e mais fundo no corpo até que um dia você descobre que a própria geografia dos seus ossos sucumbiu sob o peso das mágoas.”


O ritmo do livro é bom, a história apaixonante à sua maneira, e embora possua alguns chichês aqui e ali sobre a sociedade indiana, achei que foram justificados. Ah, e o final vai deixar você sem chão.

O livro é parte de uma duologia, e já soube que o segundo volume é ainda mais especial que o primeiro. Terminei essa leitura com lágrimas – foi difícil, mas bastante enriquecedora. Aguardem cenas do próximo livro.

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